O Esnobe - por Guga  escrito em quarta 05 setembro 2007 19:53

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Não sou um esnobe!Às vezes tenho que repetir isso, para mim mesmo, não para ninguém ouvir. Não tenho méritos o suficiente para ser esnobe ... exibido ...nunca fiz nada que mereça ser lembrado, nada marcante o suficiente. Não existe nada de errado em ter o nariz empinado, mas para tal atitude, se faz necessário a plena convicção de que você fez algo notável-caso contrário vai ser um papel ridículo.
 No pré-vestibular às vezes eu me sinto notável, tenho vergonha disso. Tudo lá é o mais pleno conhecimento corrompido ...por breves momentos eu me sinto especial, com o dom para aprender estas porcarias. Grandes merdas,  existem filhos da puta melhores do que eu nessas besteiras, que também não têm o direito de serem esnobes. É uma geração perdida, não conheço nenhum maldito que tenha o direito de andar com o queixo levantado. A juventude se limita a planejar, "eu vou me formar e me tornar importante", porra nenhuma  ...se forma e continua a mesma merda, faz mestrado e doutorado e continua a mesma merda. Olho para os dois lados da rua,  espremo a vista, coloco colírio, e não vejo nenhum maldito ser humano que possa, de fato, ser esnobe!Olho para colegas e para mim mesmo, de forma alguma essas pessoa são revolucionárias em potencial. Amigos!Quem nada fez de notável ao longo de 18 anos dificilmente sofrerá metamorfose tamanha.
 Voltando à sala do pré-vestibular ...sou de fato "superior" a muita gente lá naquela joça!o que me da um frio na espinha. Caralho! A minha infância foi perdida, só me lembro de ter lido "O menino do dedo verde" e ainda pulando da 100 para 140. Quer dizer que existe muita gente pior do que eu!O Brasil é foda. Eu lembro de reportagens que meu pai me mostrava: crianças americanas lêm em média dois livro por mês( algo assim), grandes bostas, eu li o menino do dedo verde. Mesmo que eu fosse o primeiro no maldito vestibular de medicina da UFBA, não é motivo para ser esnobe.
 Como uma lagarta que vira uma borboleta, espero passar um dia do bastardo comum que sou a um ESNOBE.   

 

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Gregório de Matos - por Paulo  escrito em quarta 05 setembro 2007 14:02

Tem uma banda tocando. Lugar movimentado. Cerveja numa mão, cigarrinho na outra e um indivíduo falando um monte de baboseiras no meu ouvido e jogando pedacinhos de fósforo na minha cara e na do companheiro ao meu lado. Reclamo com ele. Ele não pára. Reclamo de novo, mas parece não adiantar. Jogo o cigarro no chão e dou um soco no braço dele e, pra comprovar a sua falta de bom senso, recebo um soco na caixa dos peitos. Faço cara de mau e dou um no estômago dele e, finalmente, o garoto pára.

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Quarta-feira. Umas 4 da tarde. Eu acordo com o telefone da sala tocando. Minha mãe me entrega o telefone: "é aquele menino chato de novo".
-E aí, véi!
-Colé.
-Tá fazendo o quê aí?!
-Nada.
-Tá parado olhando pra parede é?
-É.
-Sério, porra. Tá fazendo o que?
-Pra quê vc quer saber merda? Eu tava dormindo. Diga logo o que você quer.
-Vai fazer o que no final de semana?
-Não sei, na pior das hipóteses eu bebo no bar aqui na frente.
-Vamo pro Rio Vermelho.
-Vamo.
-Vai ser bala, pái!
-Vai, sim. Olhe eu vou ter que desligar que tenho umas coisas pra estudar ainda.
-Relaxe porra. Véi, e Alph sábado. Queimação né?
-Aham. Fale logo o que você quer comigo que eu tenho o que fazer.
-Ah, era só aquilo mesmo. Falou.
-Falou.

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Rio Vermelho, sexta de madrugada e uma mendiguinha andando de bicicleta perto da gente.
-Vem cá, menina, você tem quantos anos?
-13.
-Você fode?
-Eu não fodo não menino tá maluco!
O papo continuou breve, mas nesse momento eu me afasto.

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Depois de uma boa bebedeira e um baseado.
-Véi! Brigado! Essa é a melhor onda da minha vida!
E meia hora depois uma boa vomitada.

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Cenas assim são comuns na nossa vida. Nós que postamos aqui no blog podemos enchê-lo só com fatos desse nível, e se esgotariam linhas de papel contando as peripécias de um garoto que possui uma mente complexa. Ainda assim nós gostamos dele - nós que eu digo, os membros dessa associação de escritores furreca e amigos e pessoas próximas - e não enjoamos da sua vozinha falando baixinho (mas baixinho mesmo) no telefone "vamo beberr" e tantas outras coisas mais. Não preciso citar nomes aqui né? né? né? né? né? ...

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Bio. - por Mira  escrito em segunda 03 setembro 2007 17:41

Blog de algodecretino :algo de cretino, Bio.  - por Mira
Nasceu. Enfim, 9 meses de espera tiveram seu desfecho - não se sabe se contemplativo ou se somente esperado. Da barriga materna, apresenta-se ao mundo mais um João. Estimulado com palmadas para chorar, também para parar de o fazer, acostumara-se desde cedo aos tapas da vida extra-uterina. Enfim, cresceu uma criança rebelde, seus amigos o excluíam dos grupinhos de montar quebra-cabeça. Indesejado por ser considerado diferente - e a si próprio assim se definia - preferia atividades que não exigissem muito da sua capacidade racional. Dormia. Assim estava bom para todo mundo, não dava trabalho a si nem aos seus coleguinhas, apenas vivia no seu mundo de sonhos loucos. Teve uma adolescência regada ao mais puro espírito jovem: baladas, bebidas, drogas e roque. Seu modo de vida junkie correspondia ao esperado de um pré-adolescente desvirtuado,roqueiro. Xingava a mãe - Ele queria bolacha - levava algumas, mas não sentia sabor algum, doíam. Bem como passou a não sentir sabor nenhum em carne. "Animal nenhum deverá ser sacrificado para meu benefício. Animais são amigos". (A grande frustração da mulherada vegetariana é saber que um pedaço de carne pode dar tanto prazer, por isso gozavam baixinho) Mal sabia ele que se um boi pudesse, comeria não só ele, como toda sua família. Envolveu-se com todo tipo de gente, os da “sua laia” e os de “qualquer laia”. Amou, brincou, bateu, apanhou, lutou, apanhou, correu, apanhou, não como uma pessoa qualquer, vivia seus dias intensamente, causava a desordem e o caos. Enfim, rótulos não faltaram: psycho, trash, metal, punk, grunge, straight-edge, radical, maluco, paloso, perigoso. Achou que faltava algo, então resolveu se tornar um membro ativo de movimentos de protesto. Calçou botas, fuzis, capacetes; embora figurativos, mas não menos interessantes a título de representação. Vivia como um rato: sujo, pelos cantos, sem destino certo. Sua vida? Beber,beber e beber. Vivia por ideais, "Se hay governo, soy contra", e defendia-os até a morte, ou quase. "Não.. err.. porco fardado não..era brincadeira...sabe? respeito muito o trabalho de vocês.. assim.. deixa pra lá, né?"Morreu como nasceu e viveu: apanhando. Triste fim de Pedro Gog, 17.... mole.
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Sobre tempo e joelho - por Diego  escrito em segunda 03 setembro 2007 03:38

Blog de algodecretino :algo de cretino, Sobre tempo e joelho - por Diego
Diego Lauton de Oliveira. Eu sou um cara importante. Atualmente todos querem meu CPF, RG e telefone. Ligam-me, mandam-me cartas, e-mails e me gritam pela televisão. Recebo e-mails apaixonados todos os dias, do tipo "garotas xxx dos EUA querem te chupar, doidinhas". Incrível. Nunca saí do Brasil e já existem mulheres apaixonadas por mim lá por aquelas terras. Fazer o quê? Devo ter sido indicado. Mas é isso mesmo. Estou envelhecendo. Estamos envelhecendo e a idade é uma coroa adornada de responsabilidades e preocupações, que faço questão de gastar em uma boa cerveja, numa boa madrugada como essa.

Ontem fui ao médico e ele me falou que preciso cortar uma parte do meu joelho, coisa que eu devia ter feito algo como dois anos atrás mas que atualmente já deve ter piorado. Coisa boba. Não quero que cortem meu joelho. É incrível como míseros momentos de sua vida, míseros e ínfimos segundos reverberam por todos esses anos. Uma simples queda 3 ou 4 anos atrás foi o suficiente para que ontem eu vá ao médico e receba essa notícia. É muito fácil falar mas realmente não quero que cortem meu joelho. Nunca fui muito fã de médicos nem de cortes.

Alguns dias acordo pensando;"maldição, eu vou morrer". Sou um profeta mesmo. Acho isso, porém, engraçado. Você acha que quem pode morrer é o amigo do seu vizinho, o vizinho do seu amigo ou coisa parecida, nunca você. Na verdade não gosto de falar sobre isso, muito menos escrever mas, no desenrolar das palavras acabamos a voltar às origens, soa melancólico e depressivo e odeio parecer melancólico e depressivo. Talvez seja esse o motivo por qual bebemos, dizemos "eu te amo" levianamente (se é que alguem seja capaz de o fazer sem ser deste modo), cantamos e dizemos "E aí, cara, como vai?"; uma questão de voltar às origens e esquecer de quando acordar em um dia qualquer, parar para pensar que você vai morrer.

O tempo passa muito rápido quando se quer fazer alguma coisa. E quando você faz alguma coisa o tempo parece brincar um pouco com você. Hoje acordei às 8 da manhã, encarei uns exames referentes ao meu pequeno problema, pela manhã, comi um pouco de almoço familiar e televisão e agora, inexplicavelmente, estou aqui às 3 da manha acompanhado de uma boa Paulaner. É o tempo se alimentando de minha vida. Que ele beba também um pouco da minha morte e acabe saindo satisfeito. Bom apetite.
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Diálogo Ideal(izado) - por Paulo  escrito em sexta 31 agosto 2007 13:27

-Ei, cara, como vai? Tudo bem?
-Tudo sim, meu velho. Quê que conta de novo?
-Nada de mais. Tá sabendo da nova moda por aí?
-Não. Me diga.
-É a religião. Você tem religião?
-Religião?
-É. Religião.
-Nem sei o que é isso
-É algo que as pessoas se utilizam pra fugir da realidade.
-Hmm. Como uma droga?
-Não. É mais como uma coisa sem sentido que você acredita e segue sem questionar durante toda a sua vida pra poder curtir uma boa vida após a morte.
-Nossa, é sem sentido mesmo.
-Pois é. E muita gente não consegue viver sem isso.
-É como uma droga.
-É. Só que com a diferença de que as religiões te privam de prazeres. Por exemplo no cristianismo: pra alcançar o céu você tem que passar a vida inteira sem beber e fumar e só transar com a mesma pessoa pelo resto da vida.
-Que saco hein.
-E o pior: você tem que frequentar habitualmente reuniões de pessoas que acreditam num ser criador de tudo.
-Criador de tudo assim? Tudo mesmo?
-Tudo. Desde todos nós seres humanos, até as merdas que nós cagamos e as bactérias que vivem nelas. E o pior. Nessas reuniões se passa o tempo inteiro cantando músicas e contando fábulas que dizem o quanto esse ser é legal.
-Hahahahaha! Esse povo não tem mais o que inventar.
-Não tem mesmo.
-Então... Vou indo nessa. Ainda tenho que passar no banco pra pagar umas contas.
-Ah, tudo bem. Também tenho uns compromissos.
-Tchau! Ah! E não esqueça de procurar uma religião hein! Hahahahaha!
-Hahahaha! Não vou esquecer!
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